quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Despedida

Faço agora um promessa de que este vai ser meu ultimo texto para ele. É a minha triste despedida de algo ao qual me prendi durante muito tempo. Meu primeiro amor, com quem tive a impressão de que iria ser feliz, e realmente fui pois o amei, mesmo quando mais o odiava. Ele me lembrou de como trocamos nossa primeiras palavras, não foi como em um filme, não esbarrei nele me apaixonei, não. Estávamos perdidos quando nos encontramos e não ache que eu estou sendo melodramática clichê, porque nós estávamos literalmente perdidos, procurando uma sala no primeiro dia de retorno. Nunca o tinha visto antes daquele dia e, sinceramente, não o notei até muito depois disso. Nosso primeiro beijo tem haver com uma piscina e o nosso amor foi mais destruidor do que um terremoto. Falamos aquelas três palavras demais, e não as falamos o suficiente. Ficávamos abraçados e, quando eu chegava em casa, ainda podia sentir o cheiro do perfume dele na minha roupa. Passava horas pensando nele e em como ele fazia eu me sentir e como queria passar todo o tempo possível com ele. Meu amor por ele foi um gráfico em que a intensidade do amor aumentava em função do tempo. Mas ele terminou com isso. Nunca entendi ao certo porque. Passei um ano escondendo o que eu realmente sentia. Eu o vi sendo feliz nos braços de alguém que não era eu, e fiquei calada em uma ação masoquista. E, quando achava que tudo tinha acabado, que não tínhamos mais chance, vivi o meu momento de filme, em que no corredor escuro ele me beijou e sorrindo foi embora. Tudo o que eu queria esquecer e que de maneira alguma queria sentir, voltou pra mim mais rápido que um piscar de olhos. Aquela sensação de não querer parar de sorrir durou durante alguns meses e então eu percebi. Demorei 1095 dias para finalmente perceber que ele não era o meu futuro, que eu jamais iria casar com ele ou escolher os nomes dos nossos filhos, que aquele jamais seria o meu ultimo romance. E doeu, doeu muito. E quanto mais eu tentava empurrá-lo, mais ele começava a sentir o que eu mesma demorei anos para parar de sentir, ele sentiu como eu estava escorregando pelos dedos dele e que enfim ele estava me perdendo de uma vez por todas. Eu tive muita raiva, eu fui dormir chorando muitas noite e ninguém consegue entender porque eu aguentei durante tanto tempo. Mas ninguém conhece a minha história com ele, não sabem como eu passava noites acordadas por estar animada demais para dormir pensando em como iria encontrar com ele no dia seguinte. Nosso amor foi bonito, e eu o amei mais intensamente do pensei ser capaz, e em algum ponto sei que ele me amou na mesma intensidade, mas o fato é: nosso amor era uma bomba relógio, estava destinada a explodir, e eu passei tanto tempo tentando evitar isso que me desliguei de como isso estava acabando com nós dois. Estávamos nos destruindo e isso doía mais do tudo. Nos amávamos sim, mas depois de tanto tempo sofrendo passei a querer distancia. Ele não é meu futuro, mas em certo ponto ele teve meu coração completamente, eu era dele e ele era meu, simples assim. E bem lá no fundo eu sei que sempre haverá uma parte de mim que vai ser completamente apaixonada por ele, mas eu fiz minha escolha e sei que foi a melhor escolha que eu poderia ter feito. Aprendi que o amor nem sempre é suficiente, nosso problema nunca foi o amor, esse nós tínhamos de sobra. Aprendi, acima de tudo, que eu poderia dar todas as chances do mundo para ele, elas simplesmente não seriam suficientes. Um amor auto destrutível não nos caiu bem e eu tenho certeza que ele vai ser feliz. Não vai ser comigo, e eu não vou ser feliz com ele. Não conseguimos ser amigos, não agora, o dano foi muito grande. Mas um dia quem sabe, sem querer nós vamos nos encontrar e seremos capazes de saber da vida um do outro, como estamos felizes e isso vai doer. Uma parte dele sempre pertencerá a mim, assim como uma parte de mim sempre será dele. E finalmente, depois de três longos anos de sorrisos, amor, lágrimas, raiva, negação, eu entendi, eu finalmente entendi, e eu estou pronta, eu já posso deixá-lo ir, e sei que ele não vai voltar, porque nós simplesmente não somos o suficiente. Eu finalmente superei.